Os caprinos representam um papel determinante na garantia da importância económica do montado, não apenas por serem o único sistema de produção de leite no regime pecuário extensivo e o mais eficiente utilizador do esquema alimentar praticado, mas também por permitirem a inclusão do pastoreio contemporâneo de diferentes espécies pecuárias, assegurarem a grande biodiversidade natural do sistema, potenciarem a oferta cinegética e turística como consequência da recuperação introduzida no ecossistema e por fim, promoverem o equilíbrio e qualidade ambiental.   

Os Caprinos são ainda a única espécie animal doméstica plenamente adaptados a condições orográficas adversas, podendo exercer uma ação de limpeza da floresta em zonas onde não é possível o seu desbaste por via mecânica.

A cabra Serpentina é uma raça de aptidão mista. De acordo com a última avaliação genética, tem uma prolificidade média de 1.39±0.53 cabritos/parto. Após a comercialização dos cabritos, as cabras são ordenhadas, durante 6 a 7 meses. O leite é utilizado na produção de queijo, principalmente fresco, tendo a raça uma produção média de leite ajustada aos 180 dias de 128.70±60.20 litros.

O leite produzido pela cabra serpentina tem um teor butiroso ajustado aos 180 dias de 4.96±1.31 e teor proteico ajustado aos 180 dias de 3.77±0.42.

A comercialização do leite atinge valores bastante variáveis de região para região, estando o preço relacionado fundamentalmente com a raça, atingindo valores mais elevados o leite da Raça Serpentina e valores mais baixos o leite das raças exóticas.

Para além da raça tem influência no preço do leite a distância de recolha, a existência de sistemas de refrigeração na produção de modo a permitir  recolha de leite não diária, e ainda o tipo de entidade transformadora, na medida em que os fabricantes de queijo por processos artesanais valorizam geralmente melhor o leite que os industriais.